Quando era criança gostava muito de cinema e por isso desejava ser ator. Assistia a muitos filmes e apesar de quase sempre estar pensando no que acontecia neles em certos momentos eu tinha a minha própria inspiração, onde criava coisas novas de minha própria autoria. Anos mais tarde eu ainda tinha vontade de ser ator, mas era tímido demais e apesar de dizerem que o teatro ajudava a perder a timidez via nela um grande obstáculo. Certa vez cheguei a tentar entrar para o teatro, mas acabei desistindo pelo meio do caminho, por achar que ainda era cedo. Mais tarde cheguei à conclusão de que nunca conseguiria ser ator não apenas pela timidez, mas também por acreditar que nunca conseguiria decorar um texto para o teatro. Alem disso depois que comecei a escrever a literatura tem tomado cada vez mais o meu tempo e a minha preferência.
Quando tinha dezenove anos escrevi o primeiro livro chamado As Histórias de Mateus do qual já havia desistido por algum tempo, mas ultimamente estou pensando em renovar a história. Eu tentara escrever duas vezes antes deste livro, mas até então nunca tinha conseguido passar de algumas páginas. A partir de então, apesar de uns pequenos contratempos, não parei mais de escrever. No entanto, eu tinha apenas vagas ideias do que pretendia criar e aos poucos estava misturando o que eu criava com os filmes que via e quando percebi copiava mais do que criava.
Entre esta e outras coisas comecei a ler a bíblia muito jovem, tinha treze anos quando tentei lê-la pela primeira vez, como eu já tinha uma imaginação fértil e não tinha quem me explicasse o que estava lendo, muitas vezes tirava minhas próprias conclusões e foi por causa destas conclusões que deixei de estudar. Apenas uma vez eu a li inteira entre outras em que a deixei pela metade ou lia apenas o novo testamento, durante muitos anos a leitura de uma página da bíblia foi uma espécie de ritual diário.
Ouvia falar bastante sobre o significado dos sonhos, o que me levava a tentar interpretar os meus e com o tempo comecei a vê-los como uma forma de previsão de futuros acontecimentos, pois apesar das coisas não aconteceram exatamente como havia sonhado, muitas vezes havia certa relação. Isto também se tornara cada vez mais frequente ao ponto de buscar uma resposta para cada sonho e me preocupar com os pesadelos.
Quando comecei a escrever, escrevia a mão em cadernos e por preferir os filmes, onde eu podia ver a história inteira em duas horas em vez de ficar dias lendo, não sabia como contar a história. Às vezes não sabia o nome de certos objetos, tinha dificuldade em criar lugares, paisagens e residências e tinha que parar de escrever até para dar nome a um personagem. Então comecei a pegar livros na biblioteca para ler o que durou mais de um ano. Não lembro de todos os livros que peguei, lembro que li vários livros de um autor, acredito que de origem árabe, alguns livros de Paulo Coelho e um sobre sonhos, este por eu já ter a mania de tentar interpretar os meus, acabou me afetando psicologicamente e o devolvi antes de terminar de ler. Lembro-me que foi um dos últimos livros que peguei na biblioteca para ler, pois apesar de ter entregado o livro as perturbações ficaram e o último livro que peguei começou a ir formiga no lugar onde o coloquei, quando o mudei para outro lugar, as formigas foram atrás. Não sei quantas vezes isto se repetiu, mas foi a suficiente para eu interpretar aquilo como algo sinistro ao ponto de ir devolver o livro e a partir de então não peguei mais outro. É claro que hoje minha opinião sobre isso mudou um pouco e sei que poderia haver outros motivos para as formigas irem atrás do livro, mas falarei sobre isso mais a frente.
Por esta época uma cigana me chamou na rua e apesar de sempre recusar por motivos religiosos, naquele dia aceitei que me lesse a mão e o que ela me disse serviu apenas para afetar ainda mais uma mente já perturbada. Eu já tinha vários cadernos onde estavam escritos meus primeiros livros, alguns ainda nem terminados e depois da conversa com a cigana a bruxaria me perturbava diariamente ao ponto de desconfiar de todo mundo. Certo dia, decidi que o problema eram aqueles cadernos, as histórias não tinha qualidade, eram mal escritas e continham muitas copias de histórias já existentes, de forma que decidi queimar tudo, decidido a não voltar mais a escrever.
Certa vez tive um sonho, acredito que foi na época em que escrevi o primeiro livro, estava dentro de uma igreja, onde há um grande crucifixo próximo à entrada, de repente o crucifixo desprendeu se da parede caiu no chão e quebrou se em pedaços. Corri apavorado imaginando que aquilo havia sido causado por uma presença demoníaca e todas as portas se fecharam antes que eu pudesse sair. Nisto foi o próprio Jesus que apareceu e me lembro que uma das coisas que eu disse, foi que se ele havia causado aquilo não era realmente ele, mas um demônio disfarçado.
A primeira vez que escrevi este livro foi, se não me engano, entre março e maio de 2001 o título era Parque Cretáceo e alem de ter algumas partes retiradas de duas outras histórias semelhantes, havia um personagem capaz de expandir o espírito e controlar pessoas, habilidades estas que na época lhe atribuí por ser um extraterrestre. Inspirado no que acreditava ser o Espírito Santo e no que dizem sobre Deus que esta em toda parte, eu o imaginava capaz de presenciar o que acontece em inúmeros lugares diferentes por ser capaz de deixar o corpo num espírito sem forma e ainda continuar suas atividades normais, sem precisar dormir ou perder a consciência. O que o permitia ler pensamentos controlar pessoas como se estivessem possuídas pelo demônio e mover objetos distantes dele. Apesar de já vir pensando nisso anteriormente foi o primeiro livro onde tentei ligar uma história a outra através de algumas personagens ou acontecimentos. Alem de Juarez Alex também era um extraterrestre que na época era um paleontólogo noivo da paleontóloga Valeria e era a filha do casal que eu pretendia usar em outra história.
Em setembro daquele ano, comecei a ter sonhos com o dragão bíblico de sete cabeças, que começaram na época do atentado as torres gêmeas e a partir de então mais sonhos vieram com figuras religiosas como Deus e lúcifer. Em um deles Deus abraçava lúcifer que em meus sonhos já tinha a forma que recebeu no livro e Deus tinha a forma de um desenho de Zeus.
Depois dos sonhos com a besta, comecei a pensar que o apocalipse estava chegando e lembrando do livro “As valkírias” que eu tinha lido na época em que pegava livros na biblioteca; lembrei da parte onde o personagem fugindo de um buraco negro, corre para debaixo do chuveiro e se agarra à bíblia e a oração temendo a morte. Inspirado no fato imaginava um buraco negro se abrindo abaixo de minha cama e como o apocalipse fala algo sobre uma besta saindo do chão, imaginava o buraco negro como uma ligação com o inferno, em seguida o chão se abria e centenas de demônios começavam a subir. Como na época eu buscava explicar as maneiras de agir da bruxaria, interpretava isso como um mal causado por ela. Apesar de não lembrar da parte do livro onde fala em manter a mente ocupada comecei a rezar, rezava o dia todo de manhã a noite, até ficar cansado, até a cabeça começar a doer devido ao medo que tinha da bruxaria.
Com o tempo estes sonhos se tornaram tão frequentes, que eu tinha a impressão de estar vendo um universo paralelo, chegando inclusive a sonhar com momentos do cotidiano, aonde outro semelhante a mim, vinha me mostrar o que acontecia em seu mundo, até que eu passei a me ver lá no lugar dele. Eram sonhos deprimentes onde quase sempre ele caia, apanhava ou passava por ridículo. No começo, acreditava que aquele era um mundo espiritual semelhante ao purgatório, onde eu pagaria meus pecados passando pelo que ele passou no dia do juízo final. Sei que não passavam de sonhos, numa palavra mais relacionada ao caso pesadelos talvez, mas como explicar o fato de muitos destes sonhos virem a acontecer realmente, às vezes, semanas ou até meses mais tarde? Alguns ainda hoje. Sendo que com o passar do tempo, quando passei por muitos destes lugares que via nos sonhos, percebi que muitos dos acidentes que ele sofria lá, eram causados por meus medos no mundo real, como o medo de altura, por exemplo, e por trabalhar em construção, convivi muito com isto. E às vezes que o fazia passar por ridículo, era por causa de minha timidez o que aumentava meu ódio a bruxaria, pois acreditava que causavam estas coisas ao meu espírito, para que eu me tornasse cada vez mais tímido.
Depois de algum tempo em vez de demônios vindo a terra, eu me imaginava indo até o inferno e foi assim que surgiu um dos capítulos do livro, que muitas vezes pensei em tirar, mas não encontrei outra forma de passar o que eu queria passar, pois aquilo trouxe influencias futuras que eu quis passar ao personagem. O capítulo passou por diversas mudanças, pois tentei diminuir a violência e as influencias que busquei no cinema. No entanto, este episódio, apesar de influenciado por sonhos, foram apenas pensamentos que tive acordado e que vieram a tomar o lugar das orações devido ao ódio que certas coisas me causaram na época. O motivo pelo personagem em certos momentos estar convicto de que aquilo tudo é uma ilusão é porque acredito que essa passagem influenciou minha crença atual, a de que o céu e o inferno não existem.
Mas este não foi o único fato que me levou a acreditar nisso, outro fato que talvez tenha tido mais influencia foi um sonho que tive e que originou grandes conflitos em minha fé, porque acredito estar ligado a reencarnação. Este sonho me mostrou certos momentos da vida de um rapaz que acabou sendo assassinado, ele morreu no local, um campo gramado e com muitas árvores, onde parecia estar havendo algum tipo de festa. Neste mesmo lugar ele se vê em espírito, com a mesma forma que tivera durante a vida e logo percebe que entre as pessoas que vieram ver o ocorrido, tem outra pessoa alem de seu espírito que os demais não conseguem ver. Este homem vem até ele e mostra as mãos perfuradas como na bíblia Jesus mostrou á Tomé, para provar que havia ressuscitado e não era um fantasma, ele pede para acompanhá-lo, dizendo que o levaria ao pai. Neste momento, o espírito do rapaz se dissolve ou evapora não lembro direito como, mas depois disso ele continua tendo sua razão, apesar de energia ser a única coisa que eu consiga comparar com o que restou dele. Depois disso o homem também desaparece, no entanto, o rapaz segue andando e ainda conversando com ele, até que o sono começa a pesar e ele adormece. No começo eu acreditava que ele realmente acompanhava Jesus a um paraíso, onde iria conhecer a Deus, mas descobertas futuras me fizeram mudar de opinião.
Houve outro episódio real que surgiu inspirado pelos sonhos e que hoje acredito ter desistido a tempo de evitar acidentes. É sobre a máquina do tempo que eu havia criado para a primeira versão do livro, inspirado em algo parecido que vi anos antes em um filme. Nestes sonhos eu tinha criado algo parecido e achei que devia tentar, o protótipo que fiz, era bem diferente e mais trabalhoso do que o criado por Alex. Eu tinha feito um túnel quadrado de 2 metros com arame e usando uma latinha de refrigerante iria ligá-lo na eletricidade. Vendo aquilo, meu pai me perguntou o que eu pretendia fazer e eu expliquei; então ele me perguntou se eu não faria aquilo pegar fogo que é o que acontece quando um fio encosta no outro. Depois disso outras preocupações me fizeram desistir, pois aquilo não passava de pedaços de arame mal encaixados e temia que a força da eletricidade pudesse lançar estes pedaços para longe e machucar alguém. Alem disso, a única forma que eu tinha para desligar a eletricidade, seria colocando uma tomada próximo aos arames e se alguma coisa desse errado, eu não poderia chegar perto para desligar.
Lembro-me de ter tido um sonho sobre a infância do rapaz sobre o qual vim a sonhar com o dia de sua morte, depois disso outros fatos vieram sobre os quais não me lembro de ter sonhado; pareciam mais com lembranças de algo que não aconteceu comigo, lembranças inclusive de coisas que aconteceram com pessoas ligadas a ele as quais ele não presenciou em vida. Depois destes, vieram outros sonhos, muitas vezes relacionados com a morte como numa autópsia, cremação e também numa época de guerra.
Também tive alguns sonhos relacionados ao conto bíblico sobre a criação do homem os quais tentei, por algum tempo incluir no livro, mas percebi que teria pouco espaço para contar tudo o que queria contar e acabei desistindo. Naquela época a historia era bem diferente, pensava em contá-la através daquela visão do eu natural e do eu espiritual que eu tinha no inicio de forma que grande parte do livro não passava de sonhos apocalípticos de Alex. Na transição entre esta segunda forma de contar a história e a atual, tive novos conflitos que novamente fizeram-me pensar em desistir de escrever, continuava tendo dificuldades em contar a história e por certo período não tive nenhuma ideia de por onde seguir. Também tive muitas dificuldades em encontrar uma forma de adaptar o livro aos meus sonhos, algo que só se tornou possível depois que comecei a pesquisar sobre coisas que até então imaginara ser apenas de origem fictícia.
Nesta época comecei a pensar em todos os conflitos e perturbações psicológicas que tive anos antes, muitos deles inspirados no cinema e a partir de então comecei a me perguntar se não era isso que estava me prejudicando. Pensava em tudo que já havia se passado desde a infância, lembrando de coisas ditas por quem tem opiniões negativas quanto à televisão, algo que sempre defendi por gostar, agora já não estava mais tão certo de que não era verdade. Olhando para trás me perguntava se meu interesse por cinema e televisão, não era apenas uma forma de fugir à realidade da qual não gostava, o que me levou a criar um mundo só meu. Acredito que deve ter sido por esta época que comecei a pensar em voltar a procurar uma ajuda psicológica.
Foi então que me lembrei de Juarez o personagem que tinha deixado de lado por alguns anos e a partir daí fui buscando uma nova forma de passar para o livro aquilo que estava acontecendo. Eu já havia abandonado a ideia de usar neste livro os extraterrestres da outra história, algo que, segundo minhas projeções atuais, acontecerá alguns séculos à frente, com outros personagens e de uma forma bem diferente da que eu havia imaginado inicialmente. Mas eu encontrei no personagem uma forma de passar para o livro aquilo que acontecia em meus sonhos e que era muito parecido com os poderes sobrenaturais que havia imaginado para o extraterrestre. A ideia inicial estava relacionada ao túnel pelo qual algumas pessoas que tiveram uma experiência de quase morte dizem ter passado, os conflitos que o tiraram do seminário lhe teriam dado o dom de passar por este túnel em vida, fazendo o sobreviver ao acidente. Então Juarez se tornou a personagem que recebeu o destino a partir de meus sonhos, se bem que hoje busco uma interpretação bem mais ampla passando isso para quase tudo que pretendo criar. Como encontrei uma forma de relacionar o conto bíblico de Adão e Eva que vi em meus sonhos à história da criação que imagino, no momento, estou pensando em criar um livro apenas para esta história.
Quando comecei a escrever não tinha o habito de pesquisar sobre os temas que utilizava nos livros, mas como este livro se tornara muito complicado, fui obrigado a buscar informações. Descobri que existiam opiniões cientificas sobre máquina do tempo e teletransporte, coisas que até então pensei serem apenas fictícios. Através de minhas pesquisas percebi que havia uma ligação entre viagens espaciais, máquina do tempo e teletransporte, todos relacionados a buracos de verme. Foi a partir daí que decidi que ele não sobrevive ao acidente que o leva a primeira experiência com o teletransporte, numa comparação deste túnel visto pelos que tiveram uma experiência de quase morte com um buraco de verme, ressuscitando no final. Segundo dizem o teletransporte é a matéria transformada em energia e em algum lugar distante, convertida de energia em matéria novamente. É algo semelhante que ocorre no acidente de Juarez, o que depois de matá-lo, o faz ressuscitar, também trazendo lhe outras habilidades. Diz se na física que uma bolinha de pingue pongue sendo atirada inúmeras vezes contra uma parede poderia chegar um momento em que ela atravessaria esta parede. Isto teve grande influencia na criação do manto elétrico e do acidente, mas eu não sei nada sobre isto o que dificultou bastante o desenvolvimento da história.
Ao concluir o Ensino Médio em 2007 os professores de física e química falaram algo que associei ao meu sonho e tentei passar para o livro. O professor de física numa aula sobre átomos; alem da historia da bolinha de pingue pongue, disse que tudo vinha do nada o que logo associei ao meu sonho em que me via sem forma alguma. A professora de química numa aula sobre energia atômica disse que ela vai se expandindo e enfraquecendo com o tempo o que me fez pensar que a nossa energia é parecida e por isso tive a sensação de estar andando no sonho enfraquecendo até dormir de vez. O que num primeiro momento me desanimou, fazendo-me ver a morte como algo muito próximo do fim, logo me fez ver as coisas por um ângulo diferente. E se eu não me permitisse adormecer e continuasse me expandindo? Hoje penso que foi por isso que lá naquele sonho na igreja Cristo me chamou de Adão, não por eu ser a reencarnação de um personagem no qual acredito que sequer tenha existido, mas por ter cometido o pecado que a igreja atribui a ele. O de querer igualar se a Deus.
Ao deixar de acreditar em céu e inferno restaram perguntas que ficaram sem respostas, pois apesar de acreditar nisso e em reencarnação continuo acreditando que Cristo é o filho de Deus e que ressuscitou. Mas então para onde ele foi? Na bíblia em uma de suas aparições ele diz que ainda não subiu ao pai o que ele quis dizer com isso? Pensei em diversas possibilidades tentando encontrar uma resposta, chegando até mesmo em pensar que a sua ressurreição poderia não passar de uma farsa. Mas o que atormentava a minha fé não tinha nada a ver com isso, era um sonho no qual ele aparecia neste mundo a um desencarnado de uma forma na qual tentava provar que ressuscitara. Quando pensei na possibilidade de tornar me parte de Deus pelo simples fato de conseguir evitar que dormisse cheguei à conclusão de que Cristo poderia ter feito algo parecido e o fato de dizer que ainda não subira ao pai, significava que ele ainda não havia completado sua expansão. A principio imaginei que sua volta seria parecida com o que aconteceu no sonho, o que lembra muito a forma como, segundo a bíblia, Jesus teria se revelado aos discípulos de Emaús. No momento de sua volta ele abriria nossos olhos, nos revelando que na verdade ele nunca foi embora. No entanto, a versão de sua volta que pretendo utilizar no livro é um pouco diferente, pois penso em utilizar Jesus como um personagem de meus livros o que já pode vir a acontecer no próximo livro da série.
Enquanto escrevia o livro ouvi falar algo sobre uma partícula divina e durante minhas pesquisas busquei uma resposta para isso, mas não encontrei. Só tive resultado ao ter conhecimento do Bóson de Higgs o que me possibilitou a ter resultados mais precisos. Sei que isso não justifica meu sonho e que pelo fato de o terem chamado de “partícula divina”, ou “partícula de Deus” posso estar confundido as coisas, depositando nisso a esperança de ter encontrado uma prova de que o que aconteceu em meus sonhos, possa ter uma ligação com a verdade.
Tive bastante trabalho em escrever o livro, mas acredito que o que mais me atrapalhou não foi às dificuldades em entender os assuntos dos quais estava tratando e sim às coisas nas quais acreditava ao criá-lo. Nos primeiros anos dos sonhos, eu os levava muito a sério, chegava inclusive a procurar Deus por trás das nuvens, como tinha visto num deles. E muito disso eu passava para o livro, no entanto, logo deixavam de ter importância ou não era mais como acreditava que fosse então o deixava de lado e recomeçava a escrevê-lo de outra forma, apenas para terminá-lo novamente e ver que não era mais aquilo que queria, muito do que acreditava já não era mais assim.
No inicio de 2011 comecei a fazer um curso técnico de administração e fiquei sabendo que uma das professoras era psicóloga. Como já tinha pensado em procurar ajuda psicológica devido ao que estava acontecendo, pois chegava a acordar à noite depois de um pesadelo e temia estar enlouquecendo; alem disso, o livro já estava na editora e eu ainda não perdera a timidez como imaginara que seria possível quando os sonhos começaram, enviei um e-mail à professora falando sobre isso e ela me indicou uma psicóloga onde comecei a ir. Meu maior interesse na terapia era perder a timidez, no entanto, depois de algumas semanas falando sobre o que estava acontecendo, outras coisas foram surgindo, como fortes sintomas de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) os quais podem ter contribuído para que eu não enlouquecesse. Não importa se há alguma verdade no que aconteceu ou não, a verdade é que modificou algumas coisas nas quais acredito, apesar de o Deus no qual sempre acreditei continuar sendo quase o mesmo.
Leio sobre dinossauros desde criança e já acreditava na teoria da evolução antes mesmo de ter formada a minha fé, o que nunca me impediu de acreditar em Deus. No entanto, hoje em dia a própria igreja parece perdida ao defender a teoria criacionista perante a evolucionista, fazendo uma mistura de ambas. Agora aceitam que dinossauros existiram, mas são incapazes de aceitar a evolução entre as espécies, pois acreditam que o homem é um ser superior, diferente das demais criaturas, apenas por ter recebido o dom da inteligência. Por esta razão acreditam que dizer que o homem veio do macaco é negar a sua criação divina ou até mesmo que Deus exista. Mas na verdade o homem, por se achar a criatura mais perfeita que existe, criou um Deus a sua imagem e semelhança. Um céu como recompensa aos justos, onde a eternidade existe e um inferno para punir os injustos, mas se não existe nenhuma ligação entre os dois mundos como eles afirmam, será que seria possível saber tão bem o que há do lado de lá? Ou será que o nosso fracasso em criar um mundo mais justo aqui nos dá a necessidade de acreditar que ele exista em outro lugar? Eu acreditei num céu até que minha doença teve seu auge, depois disso passei a creditar que a religião foi criada no mesmo universo onde criei meu livro, o da imaginação. Hoje me pergunto se estes relatos de visões milagrosas ocorridas ao longo da história foram mesmo reais ou se foram surtos psicológicos de pessoas que como eu; transformaram a fé em fanatismo. E depois do que tenho visto de uns tempos para cá, o que inclui a opinião da igreja quanto aos dinossauros, fico cada vez mais convicto de que religião não passa de mais uma política humana, que apesar de falar em nome de Deus, serve apenas aos interesses do homem.
O fato da teoria cientifica estar mais próximo da verdade não significa que Deus não exista, porque eu acredito que ele esta dentro de cada um de nós e é por isso que o homem o busca desde que começou a fazer uso da razão, mas nós não queremos conhecer o Deus verdadeiro porque ele nos parece frio, deprimente, triste, vazio. Eu acredito que a existência de Deus deveria ser estudada como uma ciência, mas a verdade é que não importa o que há do lado de lá. Precisamos manter a verdade que nós criamos, porque apenas esta nos conforta nas dificuldades que o mundo nos impõe e nos faz suportar a ideia de que um dia a morte virá. Penso que se Cristo realmente morreu para nos salvar, foi para que evoluíssemos por conta própria, até conhecermos a Deus como ele conheceu.
Existem evidencias muito forte comprovando que os dinossauros existiram, mas aceitar a evolução entre as espécies seria o mesmo que aceitar que o homem evoluiu assim como as demais criaturas. O que para aqueles que afirmam que só o homem tem alma é inaceitável. Se todas as criaturas foram criadas por Deus o que tornou o homem tão especial que só ele merece um espírito? O Deus no qual acredito está em todas as criaturas que existem ou que já existiram, assim como está em todas as coisas, da mesma forma que os átomos estão em tudo o que existe. A igreja diz que do nada, nada vem, no entanto, o gênesis diz que no inicio existia apenas Deus, de onde então foi que Deus tirou o universo? O nada no qual acredito e que talvez seja o que a ciência chama de Bóson de Higgs ou partícula divina é o espírito de Deus que deu origem a tudo. Nada do que a ciência já descobriu ou venha há descobrir um dia poderá abalar o Deus no qual acredito, pois realmente acredito que de Deus tudo veio e para ele tudo volta.
Sei que aqueles sonhos vieram da doença, pois já tinha sintomas dela muito antes deles começarem e acredito que a razão dela ter evoluído desta forma foi o fanatismo religioso no qual vivia até então. Por outro lado tenho a necessidade de acreditar que algo daquilo foi real e talvez o fato de ter encontrado na ciência algo que tornaria o que vi possível, seja apenas uma forma de continuar me iludindo. Mas o fato mais forte pelo qual continuo tendo a esperança de que havia alguma verdade naquilo é que dentre estes sonhos que tive, teve alguns sonhos onde Cristo estava comigo, os quais eu interpretei como um anuncio de sua volta. Mesmo que estes sonhos mostrem algo completamente diferente daquilo que se acredita ser a sua volta, continuo tendo a esperança de um dia vir a presenciar aquilo que todo cristão espera desde que ele foi embora.