Casa: Acompanhe os Primeiros Dias de Elena Durante a Reforma

Tempo de leitura: 13 minutos

A casa é o bem mais valioso da fazenda que Elena recebeu de herança. Uma mansão deixada por seu avô desaparecido há 30 anos. Ela vai passar as férias na residência para reformá-la com o objetivo de vendê-la no futuro.

O problema é que a casa adquiriu uma péssima reputação enquanto esteve abandonada. Apesar da destruição existente na casa surgem indícios de que muitos objetos estavam presos a ela como se fossem parte da própria casa. Além disso, por continuar mobilhada é preciso decidir o que fazer com a mobilha. Mas como descartar algo que você não conhece a verdadeira utilidade?

“A Árvore Entre Mundos” é o primeiro livro de “As Histórias de Mateus” série criada para este blog. Acompanhe o segundo capítulo abaixo, o índice com “Arrumando a Casa” e os demais capítulos deste livro está na conclusão. Comece a leitura pelo primeiro capítulo “A Herança”.

Capítulo Dois; Arrumando a Casa

Apesar de já ser dia o quarto continuava escuro. A luz que havia no quarto vinha das poucas frestas na janela que não estavam tapadas pelas tabuas que Elena pregou no dia anterior. A porta também estava aberta, pois Geovana não se dera ao trabalho de fechá-la quando saiu. A luminosidade era bem maior nos outros cômodos da casa onde as janelas estavam destruídas.

– Levanta Daniel já passa das dez horas da manhã. – Gritou Elena entrando no quarto. – Você não ficou de concertar a fiação elétrica hoje?

– Mãe hoje é domingo! – Exclamou Daniel, mal abrindo os olhos. – Será que há eletricidade na casa pelo menos? Do contrário nem adianta ter pressa.

Era verdade, eles não haviam se dado conta disso no dia anterior. Elena foi até a entrada de luz verificar, Geovana e Michele a acompanharam. A porta estava velha e danificada e logo ao abri-la Elena percebeu que a luz estava cortada. Teria que ligar para a companhia elétrica no dia seguinte o que significava que eles iriam continuar no escuro.

Elena voltou para a casa seguida pelas filhas, quando se aproximaram, Daniel já as aguardava na porta.

– Tem? – Ele perguntou.

Ela apenas balançou a cabeça negativamente, o que deixou Daniel frustrado embora não dissesse nada.

– Bem, não importa! Vou verificar aqui dentro e remover os fios estragados por hoje. – Disse Daniel.

– E nós vamos verificar as roupas, jogar fora tudo o que está estragado e lavar o resto. – Falou Elena.

– Mãe esta roupa esta imunda, não tem como limpar isso. – Resmungou Geovana.

– Bem, vamos pelo menos tentar, isto é quando houver luz na casa para usar a máquina de lavar. – Disse Elena.

Atividades do Domingo

Enquanto Elena e as filhas foram para os quartos tirar e separar a roupa dos armários, Daniel começou a verificar a rede elétrica. Assim que entraram no quarto abriram as portas do armário e começaram a pegar as roupas. Logo começaram a tossir devido a grande quantidade de pó que levantou.

– Mãe nós vamos precisar de mascara para respirar no meio desta poeira. – Disse Geovana depois de um acesso de tosse.

– É você tem razão! – Elena concordou indo sentar ao lado de Michele. – Vamos ver o que há nos armários dos outros quartos até que a poeira abaixe.

– Como vamos limpar tudo isso? – Perguntou Michele.

– Temos que esperar os pedreiros reformar a casa e depois lavar antes de pintar. – Respondeu Elena levantando e indo abrir o armário em outro quarto com Michele acompanhando-a.

Geovana não as acompanhou e entrou no quarto ao lado. Ao contrário do outro quarto onde havia apenas roupas masculinas, ali havia apenas roupas femininas. Ela começou a tirar os vestidos jogando-os em cima da cama. Embora todos eles tivessem o mesmo tom de sujeira, ainda dava para distinguir um pouco de cor por baixo dela.

Olhando para todos eles sobre a cama Geovana pegou o que julgava ter sido o mais bonito; fechou uma das portas do armário com espelho, colocou o vestido diante do corpo e ficou olhando. Foi neste momento que a mãe e a irmã entraram.

– Tem pouca roupa nos outros quartos. – Elena disse ao entrar. – O que você está fazendo? – perguntou ao ver Geovana.

– Este vestido deve ter sido muito bonito, é uma pena que não presta mais para nada. – Geovana disse jogando o sobre a cama com tristeza.

Hora do Almoço

Já estavam há um longo tempo separando as roupas quando Geovana lembrou do celular. Desde cedo Elena a colocara no trabalho e nem mesmo lembrara-se do aparelho. Só agora sentiu falta. Além do celular sentia falta de mais uma coisa.

– Mãe eu estou com fome quando vamos almoçar? – Apenas haviam feito um lanche rápido pela manhã e a comida que havia trazido estava acabando.

Elena olhou no relógio, já passava das duas horas da tarde. – Vamos a um restaurante almoçar. Michele vá chamar seu irmão.

– E eu vou pegar meu celular. – Disse Geovana.

Geovana foi para o quarto e pegou o celular onde o deixou na noite anterior. Ao ligar para colocar uma música percebeu que estava sem bateria. Mais essa agora. Como recarregar a bateria do celular numa casa sem luz?

Meia hora depois eles estavam almoçando no restaurante. Geovana procurou uma tomada para recarregar o celular e ficaram numa mesa ao lado. Assim que o telefone carregou a menina tirou o celular da tomada e abriu sua play list favorita.

– Já disse que não quero você usando essa coisa à mesa. – Ralhou Elena.

– Quê? – Perguntou Geovana tirando um dos fones.

– O celular, deixe para depois. – Insistiu Elena.

– Ah, qual é mãe eu trabalhei a manhã toda sem música. – Resmungou Geovana. – Além do mais já estou acabando.

Depois que voltaram para casa as mulheres continuaram removendo as roupas do armário e das camas. Tinham juntado um amontoado de roupa que Elena queria tentar lavar, inclusive alguns daqueles vestidos de que Geovana gostou. Muitas roupas já estavam destruídas, comidas pelas traças ou simplesmente sujas demais para aproveitar.

A Situação Elétrica

Daniel continuou removendo os fios que não prestavam mais e iniciou uma nova rede reaproveitando o que ainda estava em condições de uso. Iniciou em vários cômodos do térreo, mas não terminou nenhum. Não tinha todos os materiais de que precisava e os fios eram insuficientes.

– Pode me emprestar a Geovana um minuto? – Perguntou Daniel entrando no quarto em que a mãe estava com as irmãs.

Precisava de ajuda para remover as lâmpadas mais pesadas que não conseguiu segurar e desparafusar ao mesmo tempo. Ele subiu na escada junto da irmã e pediu para que ela desparafusasse enquanto ele a segurava.

– Você vai tirar todas as lâmpadas? – Perguntou Geovana enquanto tirava o parafuso.

– Por enquanto só as estragadas como esta aqui. – Respondeu Daniel. – Vou aguardar que liguem a luz e deixar as que ainda forem possíveis aproveitar.

– Você parece a mãe querendo limpar as coisas velhas. – Resmungou Geovana. – Este lugar está imundo a sujeira não vai sair por mais que lave.

– Isso não importa! – Disse Daniel. – O que importa é que essas coisas ainda são úteis e vamos precisar delas.

Geovana terminou de desparafusar a lâmpada e eles desceram da escada. Daniel largou a lâmpada num canto e levou a escada para a biblioteca onde a irmã o ajudou a tirar um lustre.

– Esta casa é estranha cheia de coisas esquisitas e parece que os fios estão ligados em tudo. – Começou Geovana enquanto subia a escada para enfim perguntar. – Você consegue refazer a rede garantindo que tudo continuará funcionando como deveria?

– Eu não vou refazer a rede, vamos contratar um eletricista para refazer a rede. – Explicou Daniel. – Quando ele vier explico o que fiz e espero que ele consiga entender esta casa.

O Destino da Casa

Como teriam que passar mais uma noite sem luz, tiveram que dormir cedo outra vez. Jantaram pouco antes do anoitecer, mais uma refeição feita dentro do carro. A comida que tinham trazido de casa já estava acabando.

– Vou fazer algumas compras amanhã, mas por enquanto vamos ter que continuar comendo no carro. – Disse Elena.

Uma hora mais tarde estavam no quarto, porta e janela trancadas, ainda era o único cômodo fechado da casa. Daniel sentou sobre o colchão, com a lanterna ligada.

– Mãe, você vai mesmo reformar a casa? – Daniel perguntou.

– Não tenho mais certeza se vale a pena. – Respondeu Elena. – Mas também não quero destruí-la, já tem tanta coisa que serei obrigada a colocar fora devido ao péssimo estado de conservação.

– Mas mãe, isso vai custar carro, só na parte elétrica há muita coisa para trocar. Sem contar as portas e janelas, não há nada inteiro. – Disse Daniel. – E se nós não conseguir vender a casa?

– Vai demorar até colocar a casa a venda, não quero pensar nisso no momento. – Disse Elena.

– Venda a casa assim então. – Insistiu Daniel. – Talvez não valha muita coisa, ainda mais com a fama que este lugar adquiriu, mas pelo menos não vamos jogar dinheiro fora reformando alguma coisa que ninguém quer.

– Chega Daniel! Amanhã vou chamar um engenheiro para avaliar a casa, se ele achar que vale a pena, prosseguirei com a reforma. – disse Elena deitando na cama e apagando a lanterna.

Daniel então se ajeitou sobre o colchão e também apagou a lanterna.

A Segunda Feira

No dia seguinte Elena levantou cedo e logo saiu. Daniel ficou em casa com as irmãs. Ele continuou seu trabalho na rede elétrica e as irmãs começaram a tirar o pó e a varrer a casa. Quando Elena voltou já era quase meio dia, Daniel a estava aguardando na entrada.

– E então? – perguntou assim que a mãe se aproximou.

– Um engenheiro virá hoje a tarde avaliar a casa. – Respondeu Elena. – Se ele aprovar a construtora inicia a reforma.

Pouco depois foram ao restaurante almoçar. Quando voltaram retomaram suas tarefas. Daniel estava puxando um fio velho da parede quando reparou na porta. Depois de tantas vezes que passaram por cima dela nos últimos dias a porta começava a se desmanchar e pela primeira vez Daniel reparou algo nela.

Ele largou o que estava fazendo e se aproximou da porta. Verificando o que havia em seu interior ergueu a porta balançando-a, deixando cair um farelo de madeira podre. Em seu interior interligando a madeira que ainda restava havia algo que Daniel não conseguiu identificar, mas lhe lembrava muito a malha de ferro utilizada na construção civil. Percebeu que estavam ligadas as dobradiças de um lado e a fechadura do outro.

– O que é isso? – Perguntou Geovana que vinha trazendo sacos de lixo. – Para que serve?

– Não faço à menor ideia! – Respondeu Daniel.

– Não falei que esta casa é esquisita? – Disse Geovana. – Você já viu aquele vaso no segundo andar ele está enroscado na mesa como se fosse uma lâmpada. Na verdade, tudo nesta casa parece de alguma forma preso a ela. Quer dizer aquilo que não foi destruído né.

A Irmã de Cássio

Geovana estava largando os sacos junto ao amontoado de lixo quando viu que havia dois garotos e uma garota próximos a fazenda. Logo percebeu que um dos garotos era Cássio, ele fez um gesto com a mão pedindo para que se aproximasse.

– Como foi seu primeiro fim de semana na casa? – Perguntou Cássio assim que ela juntou-se a eles.

– Ainda não encontramos nenhum fantasma se é o que quer saber. – Respondeu Geovana.

– Vocês estão mesmo morando aí? Não acreditei quando Cássio falou. – Disse a garota. – Eu não teria esta coragem.

– Esta é minha irmã Pâmela. – Explicou Cássio. – E Vagner o namorado dela.

– Geovana – ela disse e depois respondeu. – Estamos apenas passando as férias aí, vamos reformar a casa para vendê-la.

Tem certeza de que querem fazer isso? – perguntou Vagner.

Geovana não gostava de dar explicações. – Talvez! – Respondeu indecisa, lembrando que Elena ainda não tinha tomado uma decisão definitiva.

A Decisão de Elena

O engenheiro veio à tarde e fez uma vistoria na casa. Ele e Elena conversaram por um longo tempo. Depois que o engenheiro foi embora os irmãos cercaram a mãe e Daniel perguntou:

– E então o que vocês decidiram?

– Apesar da sujeira e destruição a estrutura continua bem preservada, basta uma reforma para deixá-la como nova. Viemos aqui para reformar a casa, não vou mudar de ideia, os pedreiros virão amanhã. – Respondeu Elena, mas completou em seguida. – Embora todos queiram distância deste lugar até ele relutou em vir e pereceu desconfortável aqui dentro, pelo menos no começo.

Primeira Semana na Casa

No dia seguinte a construtora enviou os pedreiros logo cedo conforme o combinado e com eles vieram os eletricistas. Daniel mostrou o que havia feito durante o fim de semana e eles prosseguiram de onde o garoto parou. No entanto, Daniel estava sempre entre eles se oferecendo para ajudar quando possível.

Na quarta a companhia elétrica veio ligar a luz. Eles queriam que Elena arrumasse a caixa de luz primeiro, mas ela insistiu para que ligassem, pois já estavam vários dias na casa sem luz. Além disso, Elena prometeu pedir para os pedreiros arrumá-la o mais rápido possível e embora a contragosto eles acabaram ligando.

Pediram que fossem consertados primeiro os cômodos de que iriam precisar. Daniel queria um quarto só para ele e claro que Geovana também pediu um. Portas e janelas começaram a ser trocadas por eles, assim como o concerto da rede elétrica.

– Mãe eu não quero dormir sozinha! – Reclamou Michele.

– Tudo bem você pode continuar dormindo comigo – disse Elena – aquele quarto é bem grande.

Conclusão

Conforme novos capítulos forem produzidos eles serão listados aqui, confira abaixo os que já saíram.

Índice

A Herança

Arrumando a Casa

A Noite do Fantasma

Conheça outros livros do autor.

A Fortaleza Subterrânea

Recomeço

Imagem Pixabay.

Imagem meramente ilustrativa.

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