Fábulas: Conheça a Origem Deste Gênero Literário Educativo

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As fábulas tiveram origem no Oriente, onde existe uma vasta tradição, passando depois para a Grécia, onde foi cultivada por Hesíodo, Arquíloco e sobretudo Esopo. Neste período o gênero ainda pertencia à tradição oral. Foram os romanos, entre os quais sobressai Fedro, que inseriram a fábula na literatura escrita.

Cada animal simboliza algum aspecto ou qualidade do homem como, por exemplo, o leão representa a força; a raposa a astúcia; a formiga, o trabalho, é uma narrativa com fundo didático.

Quando as personagens são seres inanimados, forças da natureza ou objetos, a narrativa recebe o nome de apólogo, que é diferente da fábula.

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História da Fábula

O Que é uma Fábula?

A Fábula no Brasil

História da Fábula

A fábula é um dos gêneros mais duradouros da literatura popular. Difundida no exterior, concordam os pesquisadores modernos, menos por antologias literárias do que por transmissão oral. As fábulas podem ser encontradas na literatura de quase todos os países.

Tiveram origem no oriente e pertencem aos assírios e babilônio, mas foi Esopo, escravo da Grécia antiga por volta de 550 ac., que a desenvolveu. No entanto, provérbios sumérios, escritos cerca de 1500 a.C., já compartilhavam semelhanças com as fábulas gregas.

Esses provérbios já incluíam em suas narrativas animais antropomórficos e uma lição de moral. Além disso, as narrativas também eram curtas, diretas e embebiam a moral no final da história. Apenas muito tempo depois habituou-se a separar a moral no início ou no fim da fábula.

Fábulas de Esopo

Foi na Antiga Grécia que Esopo propagou oralmente suas fabulas. Apesar de terem sido passadas pela oratória e isto ter desintegrado de alguma forma as fábulas, algumas características prevaleceram até os dias de hoje.

As histórias sempre utilizaram animais que reproduzem comportamentos humanos, principalmente a fala. A mímica que os animais fazem em relação aos humanos é proposital e tem, em sua maioria, o objetivo de ressaltar os bons e maus comportamentos humanos. Entretanto, algumas vezes, os personagens ainda preservam algum comportamento intrínseco a sua origem animal.

Incluí a maioria das mais conhecidas fabulas ocidentais, que são atribuídas ao lendário Esopo. O príncipe Helenístico Alexandre declarou que este tipo de mito que Esopo havia introduzido aos filhos dos helenos, tinha sido uma invenção de sírios do tempo de Ninos.

Epicharmus de Kos e Phormis são relatados como tendo sido os primeiros a inventar fábulas em quadrinhos. As fábulas familiares de Esopo incluem O Corvo e o Lançador, A Tartaruga e a Lebre e O Leão e o Rato.

Na antiga educação grega e romana os alunos seriam convidados a aprender fábulas expandi-las, inventar as suas e finalmente, usá-las como exemplos persuasivos, mais discursos forenses ou deliberativos.

Entretanto, a necessidade dos instrutores de ensinarem e dos alunos de aprenderem uma ampla gama de fábulas resultou em serem reunidas em coleções como as de Esopo.

Fedro

Fedro foi um fabulista romano (século I d. C.) nascido na Macedônia, Grécia. Filho de escravos foi alforriado pelo imperador romano Augusto. Seu nome completo era Caio Júlio Fedro.

Coube a Fedro, quando se iniciou na literatura, enriquecer estilisticamente muitas fábulas de Esopo, a quem se referia como criador do gênero da fábula. Todas essas fábulas não estavam escritas, mas transmitidas oralmente, com o objetivo de ensino, a fixação e a memorização dos valores morais do grupo social.

Deste modo, Fedro, como introdutor da fábula na literatura latina, redigia suas fábulas sérias ou satíricas, tratando das injustiças, dos males sociais e políticos, expressando as atitudes dos fortes e oprimidos, mas ocasionalmente breves e divertidas, explicando-nos, todavia, porque teve tanto sucesso, séculos depois, pela sua simplicidade, na Idade Média.

Publicou cinco livros de fábulas esópicas, com prováveis alusões aos acontecimentos de sua vida.

Fábulas da África

A cultura oral africana tem uma rica tradição de contar histórias. Como há milhares de anos, pessoas de todas as idades continuam a interagir com a natureza. Os avos desfrutam de enorme respeito nas sociedades africanas e preenchem o novo papel de contar histórias durante os anos de aposentadoria.

Crianças e, até certo ponto adultos, são hipnotizados por bons contadores de histórias quando se tornam animados em sua busca para contar uma boa fábula.

Fábulas da Índia

A Índia tem uma rica tradição de romances fabulosos, explicada pelo fato de que a cultura deriva tradições e aprende qualidades de elementos naturais. A maioria dos deuses é uma forma de animais com qualidades ideais.

Centenas de fábulas foram compostas na antiga Índia durante o primeiro milênio ac, muitas vezes como histórias dentro de histórias de quadros. As fábulas indianas têm um elenco misto de humanos e animais.

Os diálogos são mais longos do que nas fábulas de Esopo e muitas vezes espirituosos, pois os animais tentam enganar-se uns aos outros por meio de truques e enganos. Nas fábulas indianas, o homem não é superior aos animais. Os contos costumam ser cômicos.

As fábulas mais famosas do Oriente Médio eram As Mil e Uma Noites, também conhecidas como Noites da Arábia.

Fábulas da Europa

As fábulas tiveram uma longa tradição durante a idade Média e se tornaram parte da alta literatura européia. Durante o século XVII, o fabulista francês Jean de La Fontaine (1621-1695) viu a alma da fábula moral – uma regra de comportamento.

Começando com o padrão de Esopo, La Fontaine começou a satirizar a corte, a igreja, a burguesia em ascensão, de fato toda a cena humana de seu tempo.

La Fontaine

O escritor Frances Jeans de La Fontaine nasceu em 1621 e morreu em 1695. É autor das fábulas, “A Lebre e a tartaruga” e o “Lobo e o Cordeiro”.

Estudou direito e serviu à Igreja Católica por meio da Ordem do Oratório, mas não prosseguiu com a vida religiosa.

Embora seja reconhecido como escritor de fábulas, nem sempre atuou neste gênero e teve que pedir desculpas por ter publicado textos frívolos.

Dedica ao filho do rei Luiz XIV sua primeira coletânea de Contos fabulosos, em 1664. Em 1684 é admitido pela Academia Francesa de Letras.

O Que é uma Fábula?

As fábulas são composições literárias curtas, escritas em prosa ou versos. Narram histórias fictícias que apresentam animais, criaturas lendárias, plantas, objetos inanimados ou forças da natureza com características antropomórficas, muito presente na literatura infantil.

As fábulas possuem um caráter educativo que ilustra ou leva uma lição de moral particular, que pode ser no final acrescentada como uma máxima ou frase expressiva.

As fábulas foram divididas historicamente em três períodos, sendo que o primeiro foi o das fábulas orientais em que a moralidade era parte fundamental. Já no segundo período as fábulas caracterizavam-se pelas inovações do fabulista Fedro, que por sua vez fixou a forma literária do gênero, escrevendo sátiras amargas em versos.

O terceiro período que inclui todos os fabulistas modernos, com destaque para Jean de La Fontaine, poeta e fabulista francês que foi considerado o pai da fábula moderna.

Diferente da fábula a parábola exclui animas, plantas, objetos inanimados e forças da natureza como atores que assumam a fala ou outros poderes da humanidade. Em ambas, a narrativa lança mão da imposição e de reflexão, mas a parábola não ultrapassa os limites do real.

A disposição do tempo também marca diferenças entre a fábula e a parábola. Enquanto na fábula o recurso da imagem é do passado e o fato pertence ao presente, na parábola não segue essa condição

O fato, na parábola pode valer em qualquer tempo. A lição de moral na fábula também é considerada efêmera, desperta interesse e provoca admiração.

Os recursos alegóricos da fábula permitem a transmissão de conhecimento às crianças, ainda com limitações de vivências e carências para compreensão das convenções sociais.

Considerando o público, o entendimento da fábula deve ser rápido e fácil.

A Fábula no Brasil

José Bento Monteiro Lobato nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté, interior de São Paulo. Morreu na cidade de São Paulo em 4 de julho de 1948. Formado em direito, atuou como promotor público até se tornar fazendeiro, após receber herança deixada pelo avô.

Diante de um novo estilo de vida, Lobato passou a publicar seus primeiros contos em jornais e revistas, sendo que, posteriormente, reuniu uma série dele no livro Urupês, sua obra prima como escritor.

Em uma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris ou em Lisboa, Monteiro Lobato tornou-se também editor, passando a editar livros também no Brasil. Com isso, ele implantou uma série de renovações nos livros didáticos e infantis.

Ficou conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis, que constitui aproximadamente a metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de contos, artigos, críticas, crônicas, prefácio, cartas, livros sobre a importância do ferro (Ferro, 1931) e do petróleo (O Escândalo do Petróleo, 1936).

Escreveu único romance, O Presidente Negro, que não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças.

É considerado o precursor da literatura infantil brasileira. Entre suas principais obras estão os personagens de o “Sítio do Pica-pau Amarelo”; que é sua obra de maior destaque na literatura infantil e ganharam adaptação para a televisão. A obra tem atravessado gerações e representa a literatura infantil do Brasil.

Monteiro Lobato foi um dos mais influentes escritores brasileiros de todos os tempos.

Recusou o título de integrante da Academia Brasileira de Letras.

O que é o Sítio do Pica-pau Amarelo?

É um conjunto de 23 obras que Monteiro Lobato escreveu entre 1920 e 1947. Sua obra tem um sítio que recebe o nome de Pica-pau Amarelo como o cenário de suas histórias infantis.

Em 1920, durante uma partida de xadrez com Toledo Malta, este contou a Monteiro Lobato a história de um peixe, que saído do mar, desaprendeu a nadar e faleceu afogado.

Lobato diz que perdeu a partida porque o peixinho não parava de nadar em suas ideias, tanto que logo sentou-se à máquina e escreveu A História do Peixinho que Morreu Afogado. Atualmente relatado como perdido já que Lobato nunca se lembrou onde o havia publicado.

Este conto deu origem ao livro A Menina do Narizinho Arrebitado (1920). História mais tarde republicada como o primeiro capítulo de Reinações de Narizinho (1931), livro que serve de propulsor à série de Sítio do Pica-pau Amarelo.

Para o cenário do Sítio, Lobato foi inspirado em memórias de sua própria infância, já que ele mesmo viveu com sua família em uma fazenda no interior de São Paulo.

No sítio de onde vem o título da série mora Dona Benta; uma velha de mais de sessenta anos que vive em companhia da neta Lúcia; Narizinho como todos dizem e a empregada Tia Nastácia.

Narizinho tem como amiga inseparável uma boneca de pano velho chamada Emília, feita por Tia Nastácia. Em um dos capítulos de Reinações de Narizinho, Emília começa a falar graças á pílula falante do Doutor Caramujo. Um médico afamado do Reino das Águas claras, um palácio que fica no fundo do ribeirão do sítio.

Durante as férias escolares, Pedrinho, primo de Narizinho, passa uma temporada de aventuras no sítio. Juntos eles desfrutam de aventuras explorando fantasia, descoberta e aprendizagem.

Os Livros da Coleção

Estes são os títulos da coleção na ordem em que se encontram atualmente:

  1. Reinações de Narizinho ­ 1921
  2. Caçadas de Pedrinho ­ 1922
  3. O Saci ­ 1927
  4. Memórias de Emília ­ 1930
  5. Emília no País da Gramática ­ 1931
  6. Aritmética da Emília ­ 1932
  7. Fábulas ­ 1933
  8. Histórias Diversas ­ 1933
  9. Histórias da Tia Nastácia ­ 1934
  10. Peter Pan ­ 1935
  11. Vagem ao Céu ­ 1935
  12. O Poço do Visconde ­ 1935
  13. O Picapau Amarelo ­ 1935
  14. Aventuras de Hans Staten ­ 1936
  15. Dom Quixote das Crianças ­ 1937
  16. Geografia de Dona Benta ­ 1937
  17. A Chave do Tamanho ­ 1937
  18. A Reforma da Natureza ­ 1939
  19. O Minotauro ­ 1938
  20. Os Doze Trabalhos de Hércules ­ 1941
  21. Histórias do Mundo Para Crianças ­ 1942
  22. Serões de Dona Benta ­ 1944
  23. História das Invenções ­ 1947

Conclusão

A estrutura narrativa da fábula cabe na distribuição dos acontecimentos como epopeia, conto, romance e, até mesmo, drama.

Embora transite nos demais gêneros literários, a fábula é uma narração breve em que os personagens desfilam recursos pedagógicos que levam à reflexão sobre a ética, política e outras convenções.

Referências:

  1. Wikipédia, Fable, disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Fable>.
  2. Wikipédia, Fábula, disponível neste link.
  3. Significados, O que é Fábula, disponível neste link.
  4. Daniela Diana, Toda Matéria, Fábula, disponível neste link.
  5. Matérias Escolares, O que São Fábulas e Quais os Fabulistas mais Famosos? Disponível neste link.
  6. Wikipédia, Sítio do Picapau Amarelo disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Sítio_do_Picapau_Amarelo>.
  7. Wikipédia, Monteiro Lobato, disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato>.
  8. Wikipédia, Fedro, disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Fedro>.

Imagem Pixabay.

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