Fantasma: As Coisas Estranhas que Acontecem em uma Noite

Tempo de leitura: 14 minutos

Em “A Noite do Fantasma” seguem as reformas na casa que revela novas surpresas a cada momento. Depois de um pedido estranho de um suposto fantasma, Daniel sai em busca do que poderia estar oculto no terceiro andar. Entretanto, quando encontra o que procura, ele percebe que a casa ainda guarda muitos segredos. “A Árvore Entre Mundos” é o primeiro livro de “As Histórias de Mateus” série criada para este blog. Acompanhe o capítulo abaixo, um índice com “A Noite do Fantasma” e os demais capítulos deste livro está na conclusão. Comece a leitura pelo primeiro capítulo “A Herança”.

Capítulo Três; A Noite do Fantasma

A rede elétrica foi sendo restaurada aos poucos. Elena pediu aos eletricistas que consertassem primeiro os cômodos de que mais precisavam e a lavanderia era uma delas. De fato, ela queria lavar as roupas da casa na esperança de conseguir recuperá-las. Fizeram uma limpeza superficial nos quartos em que iriam dormir, pois os pedreiros ainda precisavam quebrar a parede para fazer a reforma. Depois disso a casa seria limpa e pintada. Daniel e Geovana já estavam instalados em seus quartos. No entanto, Michele continuava com Elena no primeiro quarto que usaram, as duas dormiam na mesma cama. Havia também muitos móveis sujos de poeira como todo o resto da casa. Nem todos os eletrodomésticos ainda funcionavam o que levou Elena a descartá-los também. Os móveis eram colocados juntos num cômodo ou a um canto, para que os pedreiros pudessem trabalhar.

Um Caso Inusitado

Os pedreiros passaram trabalho para abrir as parede e remover o que estava estragado. Em todas elas havia algo que não souberam identificar se era ferro ou fio. – Fio não pode ser. – Disse o engenheiro. – Foi colocado antes do reboco, parece mais uma malha de ferro. Além disso, há uma rede elétrica normal que segue separado. – As malhas são usadas para concreto, mas aqui há uma parede de tijolos por baixo. Além do mais, elas não parecem se entrecruzarem como as malhas que conhecemos – disse o pedreiro. – Nunca vi nada parecido! O que vamos fazer? Deixar isso aí ou tirar? – Não faço a menor ideia de para que isto sirva, chame a proprietária ela que resolva – respondeu o engenheiro. Chamaram Elena que quis entender o problema, no entanto, ela também não fazia a menor ideia do por que o avô tinha uma coisa daquelas na parede. Resolveram deixar, removendo apenas onde teriam que abrir a parede para passar uma mangueira de luz ou cano de água. Depois que Elena saiu, Daniel e Geovana ficaram olhando para aqueles canais na parede. Os pedreiros removeram apenas o reboco estragado e abriram pequenos canais para acompanhar o percurso que os fios seguiam, no entanto: – Você percebeu uma coisa? – perguntou Geovana curiosa. – O quê? – Retrucou Daniel olhando para a parede tentando adivinhar o que a irmã descobriu. – O alinhamento destes fios parecem raízes – respondeu Geovana. Daniel olhou ao redor do cômodo, os canais que seguiam os fios realmente pareciam formar o desenho de raízes.

A Fiação Sem Destino

Naquele mesmo dia o eletricista procurou Daniel. Fazia mais de um dia que tentava encontrar sem sucesso a saída dos fios que seguiam por uma mangueira. O arame em dado momento trancou tornando impossível prosseguir, o que o fazia pensar que ficara preso contra uma tampa. No entanto, já haviam removido todas as luzes que Daniel não tirara e o arame não chegou a nenhuma delas. – Liguei a rede para o terceiro andar, mas tem cabos que ainda não descobri para onde vão – explicou o eletricista. – Deste lado não tem nada? – Pois eu não sei! – Respondeu Daniel que também estranhava o fato de não haver nenhuma porta que levasse a um cômodo daquele lado da casa. – Bem, deixe assim por enquanto,faça o que não impõe obstáculos primeiro, talvez até lá já encontramos uma solução. – Só tenha cuidado, não conhecemos a rede para lá e agora está ligada – disse o eletricista. – Certo, mas acho que não vai ter problema, espero que seja resolvido logo – concluiu Daniel.

O Quarto de Geovana

Geovana estava em seu quarto. A porta e as janelas estavam trocadas. O quarto varrido e limpo na medida do possível, embora as paredes e o chão continuasse marrom devido à sujeira que não saiu. As roupas de cama trocadas e limpas, além disso, as roupas de Geovana já tinham seu lugar no guarda-roupa. Com os fones no ouvido ela pegou o livro que trouxe da biblioteca à tarde. Continuava sujo e empoeirado como os demais objetos da casa, muitas páginas com buracos comido pelos cupins.

Um Gato no Quarto

Estava lendo há uns quinze minutos quando um gato preto entrou pela porta e foi sentar sobre seu colo. Geovana estranhou, não conhecia o animal, não havia gatos na casa e este era mansinho. Outra coisa que lhe chamou a atenção foi que apesar dele estar sobre seu colo não sentia o bicho, como se não tivesse peso. Ela colocou a mão sobre ele para toca-lo, mas o braço caiu sobre sua perna. Geovana gritou assustada. O gato olhou para ela e miou. Geovana pulou da poltrona e gritou outra vez. O gato pulou para o chão e correu debaixo da cama. A garota procurou o animal debaixo da cama e não o encontrou, começou a chamar. – Gatinho? Vem gatinho! Nada. Ela procurou pelo quarto ainda chamando pelo gato e como não encontrou o saiu para o corredor. Bem, se ele entrou pela porta também poderia ter saído. Geovana saiu pelo corredor chamando pelo gato procurou em outros quartos e não o encontrou. – Gatinho, gatinho! Onde você se escondeu? Gatinho, gatinho! Ela voltou para o corredor ainda chamando. Elena passou por ela e estranhou sua atitude. – O que está fazendo? – Perguntou Elena. – Procurando o Gato. – Que Gato? – O gato que veio me visitar lá no meu quarto – respondeu Geovana. – Você esta bem? – perguntou Elena colocando a mão na testa da filha. Geovana deu de ombros e voltou para o quarto. Deixa o gato para lá. Pegou o livro e voltou a lê-lo.

A Mulher na Biblioteca

Michele estava na biblioteca olhando os livros e tentando encontrar um do qual gostasse. Estavam tão sujos, empoeirados e estragados que em muitos, nem era mais possível ver o título. Outros tinham páginas rasgadas ou furadas por cupins. A menina queria um livro infantil que tivesse ilustrações, mas até agora os únicos que encontrou tinham apenas texto que alembravam de livro escolares. Ela andou por toda a biblioteca, pegando os livros que mais lhe chamavam a atenção. Entretanto, referiu não insistir em pegar aqueles que não conseguia alcançar. Ao final de um dos corredores encontrou uma jovem mulher. Muito pálida em um vestido branco, os cabelos longos e escuros, olhos amendoados. Michele se assustou com a súbita presença, mas não disse nada. A mulher que olhava para o chão, logo levantou a cabeça e virando para ela disse: – Por favor, concerte-me! Após dizer isso a mulher desapareceu. Michele gritou e saiu correndo chamando pela mãe. No saguão encontrou o irmão que queria saber o que estava acontecendo. – Tem um fantasma na biblioteca – respondeu a menina impressionada. – Agora eu vi, era um fantasma.

Um Computador no Terceiro Andar

Daniel acompanhou a irmã de volta a biblioteca e começaram a procurar, vasculharam toda a biblioteca e não a encontraram. – Não tem ninguém aqui Michele você tem certeza do que viu? – Tenho sim, ela estava bem ali ó. – Disse a menina mostrando o lugar onde viu a mulher. – Ela pediu para ser concertada e depois desapareceu. – Michele, um fantasma não pede para ser consertado, quando muito iria pedir ajuda – explicou Daniel. – Não sei por que ela falou assim, mas era um fantasma estou dizendo a verdade – a menina insistiu. – Então vamos chamar por ela, se ainda estiver aqui vai responder. – Disse Daniel tentando acalmar a menina e convencê-la de que não havia fantasma algum. – Se estiver aqui ainda apareça e mostre onde está. – Computador,no terceiro andar, vocês precisam concerta-lo – ouviu se uma voz que Michele reconheceu como sendo a do fantasma. – Já estive em todo o terceiro andar e não tem computador nenhum lá. – Afirmou Daniel. ­– Tem sim, procure direito e você vai encontrar – insistiu a voz. Neste momento Elena entrou na biblioteca seguida por Geovana. – O que houve? – perguntou Elena. – Um fantasma mãe eu vi um fantasma. – Michele se apressou em contar. – Eu só ouviu ma voz. – Interveio Daniel que já estava duvidando desta história de fantasma. – Ela disse que há um computador no terceiro andar, impossível, a maior parte do terceiro andar é sótão. – Aquele gato que apareceu no meu quarto também deve ser um fantasma. – Disse Geovana pensativa. – Sumiu de repente e não apareceu mais. – Fantasma não pede para ser consertado – repetiu Daniel. – Vou voltar ao terceiro andar, se tem um computador lá eu vou encontrá-lo. – Ele saiu da biblioteca em direção ao saguão e subiu a escada. – Prefiro que vá dormir e procure o amanhã – disse Elena.

A Busca no Sótão

Mas Daniel não a atendeu, seguiu em direção ao segundo andar, no que logo foi seguido por Geovana e Michele. – Aqui é apenas uma sala. – Disse Daniel quando chegaram sobre o saguão. – E não tem ligação com outros cômodos. Uma coisa que Daniel não conseguia entender era o porquê daquela área ali no meio da casa. Um corredor bem largo que atravessava a casa da frente para os fundos, com bancos e vasos que deviam conter flores na época em que havia moradores a casa. Não era coberta em parte alguma, completamente exposta às intempéries do clima. Eles prosseguiram até o final do corredor e abriram a porta para o sótão. Daniel ligou uma pálida luz numa tomada logo na entrada. O sótão estava cheio de tralha, ainda mais sujo que o resto da casa e cheio de teia de aranha. O Forro de PVC era pregado na madeira do telhado e acompanhava seu caimento. O lugar tinha muitos eletrodomésticos. Claro que as prateleiras com peças eletrônicas, tinham coisas que de tão antigas já estavam fora de uso. Um sofá velho e rasgado jogado a um canto, assim como um baú em outro. – Será que ela se referia a um destes computadores? – Perguntou Geovana apontando um PC antigo. – Talvez! –Respondeu Daniel olhando em volta. – Mas como vamos saber qual deles? Michele entrou atrás dos irmãos e olhava com curiosidade para alguns eletrônicos que não conhecia. Daniel andou por todo o sótão, mas pareceu não encontrar o que estava procurando. – Venham vamos dormir, procuremos melhor amanhã – disse Daniel saindo do sótão. As irmãs saíram atrás dele, ele apagou a luz e fechou a porta.

As Últimas Janelas a Trocar

No dia seguinte, Elena estava estendendo a roupa no varal, Geovana e Michele a ajudavam. Michele vez por outra pegava uma peça de roupa e alcançava para mãe.Entretanto a menina estava mais interessada em fazer alguns riscos no chão. – Se quer me ajudar tire as mãos da sujeira olha o que você fez na roupa. – Reclamou Elena mostrando para a menina a sujeira que ela colocou na roupa. – Aquelas casas lá embaixo são nossas também? – Perguntou Daniel que estava ali com elas. – São, eram dos agricultores que trabalhavam na fazenda – respondeu Elena. – Não mano, o computador não está lá. – Disse Geovana se aproximando do irmão com uma camisa na mão. – Ela disse terceiro andar, nenhuma daquelas casas tem mais de dois. – Poderíamos reformá-las também e vender em terrenos separados – sugeriu Daniel. – Se estivéssemos mais perto da cidade talvez. – Concordou Elena. – A própria fazenda daria um retorno maior se a dividíssemos em lotes para terrenos residenciais, mas aqui? Daniel se virou e olhou para a casa. – O pedreiro não falou que já tinham trocado todas as janelas? – perguntou. – Ah, sim! – Elena concordou com um rápido olhar para a casa. – Mas ele veio falar comigo ontem à tarde informando o equivoco. Eles não encontraram uma entrada para aquele cômodo, ficaram de montar um andaime semana que vem e abrir a janela pelo lado de fora. – Aquilo é no terceiro andar. – Disse Geovana olhando para as únicas janelas fechadas na casa. – É lá que está o fantasma. – Disse Michele correndo para junto deles. – O fantasma eu não sei, mas o computador com certeza – afirmou Daniel. – Quando os pedreiros entrarem naquele cômodo vou com eles.

O Supercomputador

Daniel falou com o pedreiro e pediu que montassem o andaime na segunda pela manhã, pois queria entrar naquele cômodo e tinha pressa. Na segunda levou algumas horas até que o andaime ficasse pronto para que pudessem subir em segurança. Depois que eles abriram a janela, Daniel subiu para entrar com eles. Apesar da pouca claridade que entrava pela única janela aberta, Daniel percebeu assim que entrou que encontrou o que estava procurando. Ele andou por um corredor entre os gabinetes, embora não pudesse ir muito longe devido à falta de claridade. Entretanto, pode ver que aquela sala estava tão suja quanto os demais cômodos da casa estiveram. Pó sujeira e teia de aranha encobriam o computador. Logo pensou que tinha que ter uma entrada para aquela sala e desceu para buscar uma lanterna. Quando voltou os pedreiros já tinham tirado a janela e estavam trabalhando na outra. A claridade que entrava já era um pouco maior, mesmo assim ele não encontrou nada nem se quer parecido com uma porta. Andou ao redor da sala levando a lanterna às partes mais escuras por trás do computador e ao redor da parede. Não encontrou uma porta.

Em Busca de Uma Porta

No entanto, Daniel insistiu. Percorreu as três paredes de uma ponta a outra vasculhando cada centímetro em busca de um aporta ou de uma camuflagem que pudesse ocultá-la e nada encontrou. Deu maior atenção a parede mais extensa que separava a sala do corredor onde normalmente havia uma porta e nada. – Afinal, quem constrói um cômodo numa casa e não põe uma porta de acesso a ele? – Perguntou Daniel indignado quando se juntou aos pedreiros. – Como eles utilizavam este computador? Claro que o pedreiro também nunca tinha passado por uma situação destas, pois não soube oque responder. Irritado, Daniel pediu aos pedreiros que abrissem uma abertura na parede para colocar uma porta, mas nem isso foi fácil. Trabalharam muito tempo naquela abertura, tanto que não puderam tirar as outras janelas naquele dia ou terminar de colocar as outras duas. Nos dias seguintes, os pedreiros colocaram uma porta para o corredor e trocaram as outras janelas. Daniel queria voltar a Porto Alegre para falar com seus professores, mas Elena não permitiu. A viagem era muito longa, em breve as férias terminariam e poderia falar com eles o quanto quisesse.

Conclusão

Conforme novos capítulos forem produzidos eles serão listados aqui, confira abaixo os que já saíram. As Histórias de Mateus A Árvore Entre Mundos ÍndiceA HerançaArrumando a CasaA Noite do FantasmaSegredos da BibliotecaUm Laboratório no PorãoConheça outros livros do autorA Fortaleza SubterrâneaRecomeçoImagem Pixabay. Imagem meramente Ilustrativa.

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