Herança: Leia o Primeiro Capítulo de A Árvore Entre Mundos

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Bem antes da Dimensão Turismo surgir escrevi um conto intitulado “As Histórias de Mateus”. Do original restou apenas o título mesmo porque embora a presença da empresa seja pequena ela tem grande influência no que a história veio a se tornar. A Herança abre esta história que começa a ser recontada neste post.

A maior mudança desta versão em relação à primeira está no personagem do título. Na primeira versão ele participava ativamente como protagonista, entretanto agora ele é apenas o avô desaparecido de uma das personagens. As referências a ele estão na herança. O próprio contexto das estórias também mudou muito, aqui elas assumem uma função importante na criação de Mateus, o que na anterior não existia.

“A Árvore Entre Mundos” é o primeiro livro de “As Histórias de Mateus” série criada para este blog. Acompanhe o primeiro capítulo abaixo, o índice com “A Herança” e os demais capítulos que vem na sequência está na conclusão.

Capítulo Um; A Herança

Janeiro de 2142

Elena recebeu uma fazenda como herança do avô desaparecido há trinta anos. Como ele já tinha mais de setenta anos na época do desaparecimento e nunca mais deu notícia o homem foi dado como morto, motivo pelo qual seus bens foram divididos entre os herdeiros. Mateus tinha outros bens, mas até o momento apenas a fazenda fora liberada como Herança.

Assim que entrou de férias pegou seus filhos e seguiu para a cidade onde está localizada a herança. É claro que, devido ao fato do avô estar tanto tempo desaparecido, Elena não conhecia a fazenda. Tudo o que tinha era sua localização e para chegar lá teria que procurar. O marido Diego estava trabalhando teve que ficar em Porto Alegre cidade onde moravam.

Daniel o filho mais velho com dezoito anos, fazia graduação em Ciência da computação, gostava de informática e tudo que é tipo de tecnologia. Geovana a filha do meio com quinze anos estava no ensino médio gostava de livros e musica tanto que estava sempre com os fones no ouvido. Michele a caçula com oito anos estava no ensino fundamental.

Pedindo Informação

A viagem iniciaria no sábado pela manhã, no entanto, já passava das 08 h. 15 min. quando partiram. Foram mais de seis horas de viagem e chegando a Marcelino Ramos eles tiveram dificuldades em encontrar a fazenda. Quando encontraram um homem sobre a calçada em frente a uma casa, pararam para pedir informações.

– Sabe onde fica a fazenda Árvore Branca?

– Sei!

– Estamos indo para lá.

– Sinto muito!

“Que sujeito grosseiro”, Elena pensou olhando para ele por um momento em silêncio – Pode nos levar até lá ou dizer onde fica? – perguntou em seguida.

– Levar não, mas posso dizer que é por esta estrada, terá que perguntar mais á frente – ele disse.

– Por quê?

– Não me aproximo daquela fazenda nem que me pague senhora. É mal assombrada!

Estranhando a má vontade do sujeito e um pouco frustrada Elena pediu ao veículo que prosseguisse. O automóvel se afastou. Mais há frente um adolescente que acompanhou o que aconteceu se aproximou.

– Por cem reais eu a levo até lá!

Elena olhou desconfiada para o garoto. – Tenho o endereço e você quer cem reais para me levar a um lugar que encontraria de graça? – perguntou.

– Com certeza encontraria, mas a informação que tenho sobre aquele lugar, você só terá se me levar.

Elena ficou pensativa e em silêncio por um momento. – Tudo bem entra! – Disse em seguida.

O jovem fez a volta. Daniel que estava no banco da frente desceu para que ele sentasse ao lado da mãe.

– Segue por esta estrada sempre em frente. – Disse assim que entrou, indicando uma rua. – Por que estão indo para lá?

– A fazenda é uma herança do meu avô – respondeu Elena.

No Caminho Para A Herança

O automóvel passou para uma estrada de chão batido se afastando da cidade. Logo se embrenhavam cada vez mais para o interior com árvores e campos para todos os lados e poucas casas.

– Afinal, o que aconteceu naquele lugar para que todos o odeiem tanto que não queiram nem chegar perto? – Geovana perguntou tirando um dos fones do ouvido.

– Não o ouviu dizer, aquele lugar é mal assombrado. A mansão foi toda destruída na noite em que Mateus desapareceu. Fantasmas habitam a casa desde então e não deixam ninguém entrar. Depois do que aconteceu o Mateus nunca mais foi visto todos pensam que ele morreu naquela noite.

– A casa foi destruída num assalto? – perguntou Elena.

– Ninguém sabe ao certo. – Respondeu o garoto. – Parece que quem invadiu a casa estava mais interessado em destruir do que levar alguma coisa. Como ele trabalhou na Dimensão Turismo…

– Evolution – Daniel interrompeu corrigindo o. – Meu bisavô trabalhava na Evolution, só porque está no mesmo lugar, não quer dizer que é a mesma empresa.

– Que seja! – O garoto resmungou. – Há quem acredite que os criminosos queriam algo que ele tenha criado.

A Fama de Mal Assombrada

– Por que todos pensam que a casa é mal assombrada? – Elena perguntou.

– A origem disso veio antes dos acontecimentos daquela noite. Dizem que, às vezes, uma luz brilhava naquela casa durante a noite. Tão intensa que podia ser vista da cidade há quilômetros de distância, o que dava um tom fantasmagórico ao lugar. Foi a primeira coisa estranha vista lá. No começo acontecia muito raramente, no entanto, se tornou mais frequente com o tempo. Então a casa foi invadida por um motivo que até hoje permanece desconhecido.

– Mas o que há de fantasmagórico numa casa iluminada? – Michele perguntou tentando imaginar o que seria isso.

O jovem demorou a responder, pois também não entendia. – Talvez porque a luz era tão intensa que fazia a própria casa desaparecer. – Disse depois de um momento de reflexão.

– Depois daquela noite em que foi invadida ninguém mais conseguiu entrar na casa mesmo com as janelas e portas destruídas. Fantasmas afastam qualquer um que se aproxime se não conseguem assustando, arremessam objetos e até fazem ameaças.

Chegando à Mansão

Andavam a mais de quinze minutos quando o garoto disse para pegar a estrada à esquerda, o carro autônomo fez a curva e continuou por aquela estrada.

– Como se chama? – Elena perguntou.

– Cássio – respondeu o garoto.

– Elena – ela respondeu – e estes Daniel, Giovana e Michele a menor, todos meus filhos.

– Vocês virão morar aqui? – perguntou Cássio.

– A intenção era reformar a casa para vender, mas com a rejeição que as pessoas têm àquele lugar será difícil encontrar alguém que queira comprar – respondeu Elena.

Ficaram em silêncio por um momento enquanto o automóvel prosseguia. – Como você sabe onde fica a casa se ninguém quer ir até lá? – Giovana perguntou rompendo o silêncio.

– Os adultos não querem se aproximar da mansão, ela é tão mal falada que está cercada de superstições. – Cássio respondeu. – Não acontece o mesmo com os outros da minha idade. Costumamos ir lá ver se encontramos os tais fantasmas que segundo as lendas rondam a casa, nunca encontramos nenhum. É verdade que nunca tentei entrar na casa e outros que tentaram dizem que realmente parece haver uma força que nos afasta de lá, mas não é tudo isso que dizem.

Seguiram por mais alguns minutos até que Cássio falou:

– É aquela casa ali! – E apontou com o indicador para uma casa grande caindo aos pedaços. A mansão tinha três andares, embora o terceiro parecesse integrado ao sótão.

Quando o automóvel chegou perto da casa já passava das Três horas da tarde, Elena pediu para que ele parasse. Eles desceram do veículo, Elena entregou a Cássio o valor combinado e perguntou se ele queria que o automóvel o levasse de volta. O adolescente concordou que o levasse parte do caminho.

Uma Casa Destruída Como Herança

Depois que o automóvel se afastou eles seguiram a pé até a casa. A porta destruída estava no chão e das janelas restavam apenas pedaços pendurados nas paredes.

Eles entraram na casa passando por cima da porta e Elena pediu que tomassem cuidado para não se espetar nas farpas de madeira. No interior da residência a destruição não era tão aparente, havia móveis derrubados, porcelanas quebradas e cacos do vidro das janelas. Além disso, tinha muita poeira por todo lado. Uma escada ladeando a parede levava para outro saguão acima que levava para o terceiro andar.

– Afinal, como vamos passar a noite num lugar como este? ­– Perguntou Geovana.

– Bem, vamos consertar um quarto que ainda tiver porta e janela, amanhã veremos o que fazer. – Respondeu Elena.

– E se os fantasmas voltarem? – Michele perguntou pondo em palavras a preocupação de todos.

– Pergunte o que eles querem – disse Daniel.

O Corredor do Segundo Andar

Eles se espalharam pela casa indo cada um para um canto. Elena e Geovana ficaram no andar de baixo embora não juntas, Daniel e Michele subiram a escada para o andar de cima. Embaixo havia garagem, cozinha, lavanderia, sala de jantar e biblioteca com um escritório.

– Mãe? Vem ver! – Daniel falou de repente.

Elena estava voltando para o saguão de entrada neste momento, Daniel e Michele estavam parados no meio da escada, muito assustados. Elena subiu as escadas atrás deles no que logo foi seguida por Geovana.

Assim que saiu da escada pode ver o que os assustou. Havia um buraco no telhado e pedaços de telha e madeira espalhados por todo lado. No corredor as paredes eram decoradas com madeira, pelo menos era o que parecia, pois os pedaços da madeira agora estavam espalhados pelo corredor como se garras a tivessem arrancado da parede.

– Eu não quero dormir aqui mãe – disse Michele choramingando.

– Não tenha medo querida, o que quer que tenha feito isso não vai voltar. – Elena disse embora ela mesma não tivesse muita certeza disso.

– Como vamos dormir neste lugar destruído e cheio de pó, não deve ter um quarto que tenha porta e janelas inteiras. – Giovana reclamou.

– Vou procurar um quarto que possamos concertar até a noite. – Elena disse esperançosa em encontrar um quarto que tivesse pelo menos uma janela inteira. – Entretanto, temos que remover esta lenha do corredor para ter acesso a eles.

Eles começaram a recolher a madeira que impedia a passagem pelo corredor jogando a em um amontoado ao lado da casa. Elena estava jogando a madeira que acabava de trazer sobre o amontoado quando percebeu que o automóvel estava estacionado no acostamento. Ela parou o que estava fazendo e foi até lá.

A Ligação para o Marido

Ao se aproximar do veículo encostou o corpo nele e olhou para a casa. Daniel jogou a carga de madeira que estava trazendo sobre a pilha e voltou para a residência. Elena aproveitou que as crianças estavam longe e ligou para o marido.

– Olá, é Elena! Não foi fácil encontrar a fazenda, todos detestam este lugar cercado de superstições. Estou bem desanimada. A casa esta num estado lamentável, as crianças não querem passar a noite aqui. – Elena disse ao telefone.

– Seria melhor ir para um hotel. – Disse Diego – Não será arriscado passar a noite aí? O que aconteceu?

– Não sei! – Elena respondeu – Parece que a casa foi atacada na noite em que meu avô desapareceu. Tem um buraco no telhado, grande parte da madeira do corredor foi arrancada há marcas de garras na parede. Como meu avô estava envolvido com a Dimensão Turismo apavoro-me só de pensar em que aberração fez aquilo.

– Evolution!

– Quê? – perguntou Elisa com o pensamento distante.

– Evolution – Diego repetiu rispidamente, mas estava ficando preocupado, ainda mais que não podia fazer nada por elas de longe – seu avô trabalhava na Evolution não na Dimensão Turismo, não foi você que sempre me corrigiu.

– Tá, está bem! – Respondeu Elena distante – Estou tão nervosa que me distraí. Queria reformar a casa para vender, mas está tão danificada que seria mais fácil derrubá-la e vender o terreno. De forma alguma teremos de volta o valor investido, ainda mais com a fama negativa que este lugar conquistou.

– Certo, faça o que achar melhor. – Concordou Diego – A herança é sua, você recebeu este cavalo de Troia, agora o jeito é livrar-se dele.

Um Quarto para Passar a Noite

Elena desligou o celular. Observou de longe Geovana que trazia um amontoado de lenha largando-o sobre a pilha que ficava cada vez maior. Lembrou que precisava ver se não teria que arrumar um lugar para o carro na garagem.

Ela voltou para a casa e ajudou os filhos. A garagem não estava danificada apenas sujeira e a deterioração do tempo. Tinha dois carros ao fundo da garagem, um deles todo desmontado como se estivesse em conserto antes da casa ser abandonada.

Encontrou um quarto no segundo andar cuja janela estava quase intacta e a porta ainda estava no lugar. Elena fechou a janela e pregou pedaços de tabuas por cima para que ficasse fechada. Pediu ajuda a Daniel para concertar as dobradiças da porta e a fechadura para que voltasse a funcionar direito. Passaram trabalho para limpar o quarto, tiraram a roupa de cama e colocaram a que trouxeram, para dormir em roupa limpa.

Quando a noite caiu perceberam que havia mais um problema, não tinha luz na casa. Daniel conhecia um pouco de elétrica, mas não tinha como iniciar os concertos no escuro e também não havia material para isso. Além disso, estava cansado não via a hora de dormir.

Limparam um lugar na garagem para onde levaram o carro. Para o jantar pegaram o lanche que trouxeram de casa e comeram no carro mesmo. Depois guardaram a comida que sobrou pegaram duas lanternas que tinham trazido e foram para o quarto que tinham arrumado para dormir.

Hora de Dormir

Voltaram para o quarto e trancaram a porta. As mulheres iriam dormir na cama e colocara um colchão no chão para Daniel. Retirando os fones do ouvido que tinha voltado a usar antes do jantar e olhando as horas no celular Geovana disse:

– Não são nem oito horas ainda não quero dormir tão cedo.

– E o que pretende fazer no escuro? – perguntou Elena – Vamos continuar os reparos amanhã durante o dia, pois pode demorar até que haja luz a noite.

– Precisamos de materiais para os reparos. – Geovana disse. – Amanhã é domingo não há onde comprar.

Daniel e Elena empurraram um guardar roupa diante da porta.

– Isso não vai impedir os fantasmas de entrarem se eles ainda estiverem aqui. – Disse Michele.

– Se eles ainda estiverem aqui não, mas talvez já tenham ido embora. Vem vamos dormir. – Falou Elena levando a menina para cama.

Daniel deitou no chão e puxou a coberta, Geovana já havia largado o celular sobre a cômoda e estava deitada também. Elena deitou do outro lado e Michele no meio, Geovana e Daniel apagaram as lanternas.

Conclusão

Conforme novos capítulos forem produzidos eles serão listados aqui, confira abaixo os que já saíram.

Índice

A Herança

Arrumando a Casa

A Noite do Fantasma

Conheça outros livros do autor

A Fortaleza Subterrânea

Recomeço

Imagem Pixabay.

Imagem meramente Ilustrativa.

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